Aula Aberta
quinta-feira, setembro 22, 2005
  Elementos a reter sobre ANTERO
Intervenção social e cultural

Geração de 70 – Antero tornou-se o guia intelectual dos estudantes de Coimbra por volta de 1870.

Questão Coimbrã ou Do Bom gosto e Bom Senso – Antero foi o polémico defensor da Ideia Nova e da Nova Arte contra as imposições da escola do ultra-romântica chefiada por Castilho.
Conferências do Casino - Foi ele o mentor destas conferências, onde o país discutiu os temas mais prementes do seu tempo. Aí revelou-se o político e o ideólogo iconoclasta que via na revolução a saída para a crise da Pátria. Seguidor de Proudhon e Michelet, apontava, então, a via da revolução socialista como meio de ultrapassar a situação precária do país.
Obra
Raios de Extinta Luz: obra de temática sobretudo romântica, onde predominam os temas de amor e filosóficos, na linha do niilismo e do pampsiquismo. A maior parte dos textos desta obra, reunida por Teófilo Braga, pertencem à sua juventude.

Primaveras Românticas – engloba poemas da sua juventude e que andam à volta da paixão amorosa. Aí tratam do amor platonizante e petrarquista, ou do amor como tranquilizante, enquanto abandono após o cansaço. A mulher amada sugere sempre o colo materno onde, autêntica criança, procura o descanso.

Odes Modernas - estiveram na base da Questão Coimbrã, engloba os poemas que reflectem a fase poética que via na arte uma forma de fazer o apostolado social. A arte poética estava ao serviço da evolução e, consequentemente, da revolução. Aqui revelam-se as influências de Hegel, Prodhoun, Vitor Hugo, Lamartine e outros. Esta era uma obra que pretendia ser uma reacção contra o romantismo. Adopta o conceito de arte ao serviço de um ideal, com uma função social importante: a revolução e o progresso.
Temas: panteísmo evolucionista, o sentido da história, a «Ideia», um certo anarquismo, a actualidade internacional.

Sonetos Completos - que o autor dividiu em cinco fases: 1) crise religiosa da adolescência, 2) infelicidades amorosas, 3) apostolado social, 4) fase da dúvida e do pessimismo, 5) a fase de aspiração ao nirvana búdico.

António Sérgio organizou os sonetos nas seguintes fases: 1) A expressão lírica do amor paixão; 2) O apostolado social; 3) O pessimismo; 4) O desejo de evasão; 5) A morte; 6) O pensamento de Deus; 7) A metafísica; 8) A voz interior e o amor puro e sempiterno.

Alguns temas recorrentes:
A mulher idealizada, a mulher/mãe, o sonho, a atracção pelo nada, pela noite, pela morte, o idealismo panteísta.

Recursos expressivos dominantes: a metáfora, a imagem, a antítese, a interrogação retórica, a alegoria, a tendência para a exclamação, as formas alegóricas – maiusculação de nomes comuns, como a Noite, a Razão, a Ideia, a Morte, o Nada...
 
  O resumo
Sugestões práticas para a elaboração de um resumo

1. Leitura do texto
· Leitura para a apreciação e detecção do sentido global do texto.
· Detecção dos elementos essenciais: palavras-chave de cada parágrafo e os articuladores que explicitam as relações lógicas do texto.
· Decomposição do enunciado em ordem à definição do plano do texto, o qual consiste na divisão em partes e subpartes, em dar títulos a cada uma delas e em evidenciar a relação entre todas.
· Realização do plano do texto.

2. Redacção do resumo:

· Eliminar repetições, interjeições e o que contribua para o estilo particular do texto;
· Suprimir a maior parte dos pormenores, os exemplos isolados, as citações, as pequenas histórias, sem cair em esquematizações generalizadas;
· Manter apenas os valores mais significativos nos textos que fornecem dados em números;
· Conservar somente as articulações e ligações que evidenciam o raciocínio principal.
· Evitar:
- a utilização de expressões e frases inteiras do texto-fonte;
- o acrescentamento de qualquer tipo de comentário;
- a ausência de ligações lógicas entre as frases e os parágrafos;
- o privilégio de uma ideia secundário em detrimento de outras com mais importância no conjunto do texto.


Resultado final:

· Será um texto que obedece ao desenvolvimento lógico do texto-fonte;
· Mantém a forma gramatical do texto;
· Não repete as palavras do autor;
· Reduz em ¼ o texto-fonte;



(Bibliografia: Aula Viva 12. º Português- A, Porto Editora)
 
quarta-feira, setembro 21, 2005
  AUTOPSICOGRAFIA


O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
28.02.1929
 
  FERNANDO PESSOA - Cronologia
13 de junho de 1888 - Nasce em Lisboa, às 3 horas da tarde, Fernando Antônio Nogueira Pessoa.
1896 - Parte para Durban, na África do Sul.
1905 - Regressa a Lisboa
1906 - Matricula-se no Curso Superior de Letras, em Lisboa
1907 - Abandona o curso.
1914 - Surge o mestre Alberto Caeiro. Fernando Pessoa passa a escrever poemas dos três heterónimos.
1915 - Primeiro número da Revista "Orfeu". Pessoa "mata" Alberto Caeiro.
1916 - Seu amigo Mário de Sá-Carneiro suicida-se.
1924 - Surge a Revista "Atena", dirigida por Fernando Pessoa e Ruy Vaz.
1926 - Fernando Pessoa requere patente de invenção de um Anuário Indicador Sintético, por Nomes e Outras Classificações, Consultável em Qualquer Língua. Dirige, com seu cunhado, a Revista de Comércio e Contabilidade.
1927 - Passa a colaborar com a Revista "Presença".
1934 - Aparece "Mensagem", seu único livro publicado.
30 de novembro de 1935 - Morre em Lisboa, aos 47 anos.
Fonte: http://www.insite.com.br/art/pessoa/misc/info/cronos.html.
 
  O baú do Fernando
Fernando Pessoa tem sido objecto de um intenso estudo nas últimas décadas, mas nem por isso deixa de estar esgotado. O texto abaixo transcrito refere-se à riqueza do espólio que do velho baú do poeta continua a ser dada à luz.

Wilson Martins
in Gazeta do Povo , Curitiba, 26 de julho de 1999

O mitológico baú de Fernando Pessoa assemelha-se ao buraco das adivinhas infantis: quanto mais se tira, maior fica. Nele se acumulam os inéditos que há meio século professores e críticos, editores e comentaristas da imprensa vêm explorando em todos os sentidos da palavra, inclusive os comerciais. Agora, o espólio tomou a forma de biblioteca, composta, ao contrário, de textos publicados, mas esquecidos ou ignorados - a Biblioteca Internacional de Obras Célebres.
Como recorda Arnaldo Saraiva (Fernando Pessoa. Poeta-tradutor de poetas. Os poemas traduzidos e o respectivo original. Rio: Nova Fronteira, 1999), Marco Chiaretti, editor do suplemento "Letras" da Folha de S. Paulo, publicou em 1990 cinco "traduções perdidas de Pessoa", descobertas por acaso numa Enciclopédia Internacional de Obras Célebres, impressa, segundo informava, por volta de 1911. Não era "enciclopédia", mas dicionário de literatura, coleção de 24 volumes reunindo, não excertos antológicos, mas textos completos dos "autores mais afamados dos tempos antigos, medievais e modernos", cuja história editorial foi reconstituída por Arnaldo Saraiva.
Não se sabe exatamente, escreve ele, "quem a organizou, nem quando e onde foi impressa e distribuída. As indicações editoriais, sempre as mesmas que ela contém em qualquer dos seus volumes são apenas as do editor "Sociedade Internacional" de "Lisboa Rio de Janeiro São Paulo Londres Paris", referindo redatores principais em 12 capitais e colaboradores em 16 países. Data de 1906 a edição em nossa língua, incluindo autores portugueses e brasileiros, "às vezes com numerosos textos: vejam-se sobretudo exemplos como o de Camões, com mais de 25 textos[] ou de Machado de Assis, com 11 textos. Mas o número de autores e de 'colaboradores e críticos especiais' brasileiros, que são destacados na própria folha de rosto [] José Veríssimo, Vicente de Carvalho, Artur Orlando, Reis Carvalho, Constâncio Alves, Lindolfo Collor, João Ribeiro, indica sem dúvida o público-alvo da edição []."
Tudo leva a crer, acrescenta Arnaldo Saraiva, que "ela tenha sido feita em Portugal. Eduardo Freitas da Costa escreveu em 1951 que 'a edição destinava-se a ser publicada no Brasil'. 'Publicada' neste caso quer dizer 'impressa e distribuída' ou só 'distribuída', isto é, vendida?." As coleções tornaram-se raras: Arnaldo Saraíva não encontrou nenhuma na Biblioteca Nacional de Lisboa nem nas bibliotecas públicas portuenses, havendo uma na Biblioteca Municipal de São João da Madeira. No Brasil, esclarece ele, "vimos em 1995 quatro coleções, uma das quais incompleta, à venda em livreiros de Porto Alegre e Rio de Janeiro", lembrando que Carlos Drummond de Andrade ganhou uma, como presente do pai, quando tinha 10/11 anos.
Eu mesmo sinto-me ligado por contigüidade ou osmose à coleção completa da Biblioteca Pública do Paraná (que a possui até hoje), então provisoriamente instalada em uma sala (!) do Ginásio Paranaense, quando ali estudei nos anos trinta. Aproveitando as férias e as horas vagas, sob a proteção do bibliotecário Reginaldo, explorei sistematicamente as veneráveis estantes (era ainda o tempo dos grandes armários de madeira com portas de vidro).
No que se refere a Fernando Pessoa, escreve Arnaldo Saraiva, "o que pode causar admiração é que tenha sido pedida a sua colaboração nem dúvida quando ele não tinha ainda nome literário ou quando ainda não tinha prestado provas públicas das suas capacidades poéticas." Trabalhando como correspondente em inglês nos escritórios comerciais da Baixa lisboeta, é natural que fosse conhecido, chamando a atenção do sr. Kellog, editor da Biblioteca para o português e espanhol, colega seu no distrito. Arnaldo Saraiva recuperou algumas cartas relacionadas com a colaboração. Assinadas por Warren F. Kellog [] revelam que este "preparou cuidadosamente num escritório lisboeta a edição da Biblioteca, que Pessoa era um dos seus colaboradores próximos, e até de recurso, tradutor não só do inglês mas também do castelhano, mesmo antigo, e que pelo menos algum ou alguns dos volumes foram preparados já no início de 912."
Na Biblioteca, "Pessoa só aparece explicitamente - no Îndice ou no corpo dos volumes - como tradutor de poemas", parecendo-me extrapolação de Arnaldo Saraiva imaginar que pode também ter sido de sua autoria o que se incluiu anonimamente em prosa e verso. Ele mesmo adverte que, "quando se trabalha com inéditos do espólio pessoano há que usar de alguma prudência; certamente (sic) que existem mais poemas [do que os reunidos neste volume] traduzidos por Pessoa, e certamente que nem todos os textos que parecerão traduções de Pessoa são traduções e traduções de Pessoa []."
Seja como for, "parece incrível que só em 1990 se tenha dado conta - e no Brasil - da colaboração de Pessoa numa obra até fisicamente tão relevante. Mas não menos incrível parece que só tenham sido detectados nela cinco traduções [] quando aqui e agora propomos dúzia e meia." A explicação é simples: o editor paulista confiou nas indicações do índice geral no último volume, mas, pels cartas de Kellog e pesquisas próprias, Arnaldo Saraiva desencavou, como ficou dito, numerosos outros trabalhos.
Recebemos, assim, duas lições pelo preço de uma: a primeira, é que a consulta dos índices não dispensa da leitura das obras, e a segunda, aliás previsível, é que o baú de Fernando Pessoa não tem fundo, o que, aliás, não será coisa que pudesse descontentá-lo.
 
sexta-feira, setembro 16, 2005
  AULA ABERTA
Este é um espaço criado intencionalmente para interagir com os alunos da Escola Secundária da Póvoa de Lanhoso, nas disciplinas que integram o Departamento Curricular de Língua Portuguesa: Português e Língua Portuguesa.
A sua manutenção implicará o trabalho dos docentes aderentes e a participação dos alunos desta escola.
Assim, é mais um espaço disponível para a apresentação de materiais. Além disso, abre-se a possibilidade de contacto on-line com os docentes e a leitura interactiva de textos e de documentos.
Espera-se que todos os que por cá passarem retirem o máximo proveito e enriqueçam este espaço com os testemunhos que aqui deixarem.
Prof. Manuel
 
Este espaço destina-se a professores e alunos do ensino secundário da disciplina de Português (Língua Portuguesa)da ES da Póvoa de Lanhoso. A intenção é proporcionar um espaço de interacção, e uma outra estratégia para apoiar os alunos.

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