Aula Aberta
quarta-feira, novembro 30, 2005
  Há 70 anos morreu Fernando Pessoa

Passaram 70 anos sobre a morte de Fernando Pessoa e a sua obra continua viva entre nós . Continua o seu génio a potenciar a criação poética, a desperter em muitos o gosto pela poesia.
Por isso o melhor mesmo é lê-lo.

http://www.secrel.com.br/jpoesia/pessoa.html

 
segunda-feira, novembro 21, 2005
  Testa a tua leitura d´Os Maias
Ficha de verificação de leitura d’ Os Maias


Quais foram as casas habitadas pela família Maia em Lisboa?
_________________________________________________________________________
Quem é a personagem central da intriga secundária? ______________________________
Onde se inspirou a mãe de Carlos para lhe dar esse nome?__________________________
Onde viu Carlos da Maia pela primeira vez Maria Eduarda?_________________________
Que objecto entregou o senhor Guimarães a Ega?________________________________
O que tinha dentro desse objecto e qual a sua importância na intriga?___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
Que personagem dizia frequentemente a expressão «chique a valer»?__________________
Onde se refugiava João da Ega e a sua «amada»?_________________________________
Qual o principal «hobby» de Craft?___________________________________________
Como se chamava a amante de João da Ega?____________________________________
Com quem fugiu Maria Monforte?___________________________________________
Por que razão chamavam a Maria Monforte a «negreira».___________________________
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Qual era a ocupação da personagem Steinbroken?________________________________
E qual era a actividade de Jacob Cohen?_______________________________________
Quem era Alencar?______________________________________________________
Porque chamavam a Maria Eduarda «a brasileira»?_______________________________
Que relação há entre os Maias e os Vilaças?____________________________________ .
Onde foi que Maria Eduarda viveu com a mãe? _________________________________ .
Como é que Maria Monforte chamava ao sogro Afonso da Maia?____________________
De que vivia afinal João da Ega?_____________________________________________
O que era o «americano»? ________________________________________________
Como chamou Carlos ao seu ninho de amor?____________________________________
«Vai-te embora daí, Mefistófeles de Celorico» - a quem se refere Carlos nestas palavras?___
O que era o «Petits pois à la Cohen»? ________________________________________ .
Quem era o «reverendo Bonifácio»? _________________________________________ .
Quem personagens se exibiram no Sarau do teatro da Trindade?_____________________ .
«- Só vivi dois anos nesta casa, e é nela que me parece estar metida a minha vida inteira!» (Carlos , cap.XVII). A que casa se refere a personagem?_____________________ .
Quantos anos Carlos esteve ausente de Lisboa depois de se separar de Maria Eduarda?_____
Quem diz estas palavras e a quem: «- Que temos nós sido desde o colégio, desde o exame de latim? Românticos..»?___________________________________________________
Onde fica a Quinta de Santa Olávia? :________________________________________
 
sexta-feira, novembro 18, 2005
  Queirós, José Maria Eça de(1845 - 1900)

Escritor português, natural da Póvoa de Varzim. Oriundo de uma família burguesa e culta, dada a sua condição de filho ilegítimo passou grande parte da sua infância em Verde Milho, na casa dos avós paternos. Mesmo após o casamento dos pais, quatro anos depois do seu nascimento, aí continuou até 1855, ano em que se matriculou no colégio da Lapa, no Porto. Aqui conheceu Ramalho Ortigão, de quem se tornou amigo, embora aquele, filho do director do colégio e aí exercendo funções docentes, fosse nove anos mais velho que ele. Em 1861, entrou na Faculdade de Direito de Coimbra, concluindo a sua formação em 1866.
Em Coimbra, entrou em contacto com o movimento intelectual que então se iniciava, entre a juventude académica. Conviveu com personalidades como Teófilo Braga e Antero de Quental, mentor da célebre Geração de 70, de que também fez parte, assistindo ao desenrolar da Questão Coimbrã e lendo os autores e pensadores em voga, quanto às novas teorias sociais da Europa. Em 1866, já formado, instalou-se em casa dos pais, em Lisboa, no Rossio, e inscreveu-se como advogado no Supremo Tribunal de Justiça. A sua carreira de folhetinista e crítico teve início neste período, com os artigos publicados, entre 1866 e 1867, na Gazeta de Portugal, (onde conheceu Jaime Batalha Reis) e mais tarde reunidos sob o título Prosas Bárbaras (1903). Nestes artigos denota-se uma série de influências, manifestando-se, sobretudo, um temperamento ainda romântico e a originalidade estilística que viria a ser característica deste autor.
No final de 1866, partiu para Évora, onde, mantendo a sua colaboração na Gazeta de Portugal, dirigiu o jornal de oposição política O Distrito de Évora. Em Julho de 1867, regressou a Lisboa, onde exerceu advocacia. No final do ano formou-se o «Grupo do Cenáculo», de que Eça foi um dos primeiros membros e do qual resultará a realização, em 1871, das Conferências do Casino. Em 1869, são publicados os primeiros versos do «poeta satânico» Fradique Mendes (de certa forma uma antecipação ao processo de criação heterónima de Fernando Pessoa), na Revolução de Setembro. No mesmo ano, efectuou uma viagem pelo Egipto e pelo canal de Suez, em companhia do conde de Resende, da qual, no ano seguinte e já em Lisboa, publicaria o relato no Diário de Notícias, com o título De Port-Said a Suez. No mesmo ano escreveu, com Ramalho Ortigão, O Mistério da Estrada de Sintra, publicado igualmente no Diário de Notícias (que gerou enorme expectativa junto dos leitores, visto se apresentar como uma intriga policial verdadeira). Entretanto, foi nomeado administrador do concelho de Leiria e, posteriormente, após ter prestado provas que lhe permitiram obter o primeiro lugar, enveredou pela carreira diplomática.Em 1872, foi nomeado cônsul em Cuba, seguindo para Inglaterra, em 1874, e para Paris, em 1888.
Entretanto, em 1871, participou nas Conferências do Casino (cujo programa foi interrompido devido a proibição governamental) com uma intervenção intitulada O Realismo como Nova Expressão da Arte,na qual condenava a teoria da arte pela arte e se integrava num programa de realismo literário reformador da literatura e da vida portuguesas. As Farpas (1871), publicação mensal escrita de novo em parceria com Ramalho Ortigão, ilustra o desejo de levar a cabo uma análise crítica da sociedade portuguesa. Mas é sobretudo a partir das referidas conferências que se articula o projecto de uma colecção de novelas que, sob o título genérico de Cenas Portuguesas, analisasse os vários aspectos da sociedade da época, já segundo os preceitos da arte realista (análise minuciosa, física e psicológica, de pessoas e ambientes). Este projecto concretizou-se, mesmo se não de forma ortodoxa (no que ao realismo literário diz respeito), nos romances O Crime do Padre Amaro (romance inaugurador da nova escola cuja primeira versão foi publicada em 1875, nele se fazendo a análise da vida do clero e da pequena burguesia de província), O Primo Basílio (1878, análise da vida familiar da pequena burguesia lisboeta) e Os Maias (1888, retrato crítico da alta burguesia e da aristocracia de Lisboa). Na mesma linha se integram as obras, publicadas postumamente em 1925, A Capital (escrito em 1878, análise da classe literata), O Conde de Abranhos (escrito em 1878) e Alves & C.ª (escrito, provavelmente, em 1883). No entanto, Eça de Queirós nunca subjugou a sua personalidade artística à ortodoxia do realismo e do naturalismo. Em obras como O Mandarim (1880) e A Relíquia (1887), colocou ao serviço da sua imaginação e do seu gosto pelo fantástico certos métodos de escrita adquiridos naquela escola. Igualmente, as suas obras mais tardias como A Ilustre Casa de Ramires (1900), A Cidade e as Serras (1901) e Contos (reunidos em 1902), mais do que exemplos do realismo literário, são o reflexo da experiência do desencanto finissecular perante a tecnologia e a civilização urbana, encontrando o escritor a solução, aparentemente, no regresso ao campo, à vida dos simples. As hagiografias (descrições bigráficas de santos) incluídas no volume Últimas Páginas (1912), são sobretudo a encarnação desse desejo de regresso a uma pureza primitiva. De forma geral, e na sua fase mais realista, Eça dedicou-se sobretudo à análise social (mais que psicológica) de tipos humanos, representantes de certos grupos, vistos com uma ironia mordaz e maliciosa que se constituiu como arma de combate. Ausentes estão os tipos genuinamente populares. Na educação, e na adequação desta ao meio português, são analisadas muitas das causas dos problemas que afectam a mentalidade nacional. A sua forma de tratar estas questões gerou, na altura, grande controvérsia, sendo o escritor alvo de ataques públicos. Igualmente criticado foi o seu estilo, considerado afrancesado, que revolucionou a língua literária portuguesa. De facto, libertando-a de purismos e da oratória, aproveitando com naturalidade a linguagem comum e conseguindo associações inesperadas entre realidades aparentemente desconexas, Eça de Queirós imprimiu um cunho impressionista, condensado e rigoroso, de grande intensidade expressiva, que lhe permitiu, de forma económica, traçar os quadros e tipos observados sem os destituir de uma forte carga poética e sensível. Tal como a sua actividade de romancista, o papel de Eça de Queirós na análise do mundo seu contemporâneo em folhetins e textos jornalísticos foi fundamental. Foi fundador e director da Revista de Portugal (1889-1892) e colaborador de jornais nacionais e brasileiros. A sua experiência do exílio, o seu espírito crítico, céptico e desencantado perante a época (que se manifestou na sua participação, conjuntamente com outras dez personalidades da época — Carlos Mayer, Guerra Junqueiro, António Cândido, Ramalho Ortigão, Oliveira Martins, Carlos Lobo d'Ávila, conde de Sabugosa, conde de Arnoso, marquês de Soveral e conde de Ficalho — nos Vencidos da Vida, «grupo jantante», segundo a própria designação de Eça, entre 1887 e 1893) permitiram-lhe encetar uma análise mordaz da vida portuguesa (mas também europeia), que, apesar de muitas vezes violenta, era o reverso de um amor intenso ao seu país. Fradique Mendes, alter-ego do escritor (Correspondência de Fradique Mendes, 1900), ou o Ega de Os Maias, reflectem muito da sua personalidade e dos seus sentimentos face ao país.
Para além das obras já referidas, Eça de Queirós é ainda o autor de Uma Campanha Alegre (1890-1891), Cartas de Inglaterra (1905), Ecos de Paris (1905), Cartas Familiares e Bilhetes de Paris (1907), Notas Contemporâneas (1909) e O Egipto (1926).Conhecido, dentro e fora de Portugal, pela sua ironia, fina ou sarcástica, pelo seu comprazimento no retrato caricatural ou grotesto, pela mestria da sua arte narrativa, é tido por muitos como um dos maiores prosadores da literatura portuguesa.
in Dicionário Universal da Língua Portuguesa (http://www.universal.pt/)
 
terça-feira, novembro 08, 2005
  Ricardo Reis - um epicurista triste


Ouvi contar que outrora

Ouvi contar que outrora, quando a Pérsia
Tinha não sei qual guerra,
Quando a invasão ardia na Cidade
E as mulheres gritavam,
Dois jogadores de xadrez jogavam
O seu jogo contínuo.

À sombra de ampla árvore fitavam
O tabuleiro antigo,
E, ao lado de cada um, esperando os seus
Momentos mais folgados,
Quando havia movido a pedra, e agora
Esperava o adversário.
Um púcaro com vinho refrescava
Sobriamente a sua sede.

Ardiam casas, saqueadas eram
As arcas e as paredes,
Violadas, as mulheres eram postas
Contra os muros caídos,
Traspassadas de lanças, as crianças
Eram sangue nas ruas...
Mas onde estavam, perto da cidade,
E longe do seu ruído,
Os jogadores de xadrez jogavam
O jogo de xadrez.

Inda que nas mensagens do ermo vento
viessem os gritos,
E, ao reflectir, soubessem desde a alma
Que por certo as mulheres
E as tenras filhas violadas eram
Nessa distância próxima,
Inda que, no momento que o pensavam,
Uma sombra ligeira
Lhes passasse na fronte alheada e vaga,
Breve seus olhos calmos
Volviam sua atenta confiança
Ao tabuleiro velho.

Quando o rei de marfim está em perigo,
Que importa a carne e o osso
Das irmãs e das mães e das crianças?
Quando a torre não cobre
A retirada da rainha branca,
O saque pouco importa.
E quando a mão confiada leva o xeque
Ao rei do adversário,
Pouco pesa na alma que lá longe
Estejam morrendo filhos.

Mesmo que, de repente, sobre o muro
Surja a sanhuda face
Dum guerreiro invasor, e breve deva
Em sangue ali cair
O jogador solene de xadrez,
O momento antes desse
(É ainda dado ao cálculo dum lance
Pra a efeito horas depois)
É ainda entregue ao jogo predileto
Dos grandes indif'rentes.

Caiam cidades, sofram povos, cesse
A liberdade e a vida.
Os haveres tranquilos e avitos
Ardem e que se arranquem,
Mas quando a guerra os jogos interrompa,
Esteja o rei sem xeque,
E o de marfim peão mais avançado
Pronto a comprar a torre.

Meus irmãos em amarmos Epicuro
E o entendermos mais
De acordo com nós-próprios que com ele,
Aprendamos na história
Dos calmos jogadores de xadrez
Como passar a vida.

Tudo o que é sério pouco nos importe,
O grave pouco pese,
O natural impulso dos instintos
Que ceda ao inútil gozo
(Sob a sombra tranquila do arvoredo)
De jogar um bom jogo.

O que levamos desta vida inútil
Tanto vale se é
A glória, a fama, o amor, a ciência, a vida,
Como se fosse apenas
A memória de um jogo bem jogado
E uma partida ganha
A um jogador melhor.

A glória pesa como um fardo rico,
A fama como a febre,
O amor cansa, porque é a sério e busca,
A ciência nunca encontra,
E a vida passa e dói porque o conhece...
O jogo do xadrez
Prende a alma toda, mas, perdido, pouco
Pesa, pois não é nada.

Ah! sob as sombras que sem qu'rer nos amam,
Com um púcaro de vinho
Ao lado, e atentos só à inútil faina
Do jogo do xadrez
Mesmo que o jogo seja apenas sonho
E não haja parceiro,
Imitemos os persas desta história,
E, enquanto lá fora,
Ou perto ou longe, a guerra e a pátria e a vida
Chamam por nós, deixemos
Que em vão nos chamem, cada um de nós
Sob as sombras amigas
Sonhando, ele os parceiros, e o xadrez
A sua indiferença.
Fernando Pessoa, Odes de Ricardo Reis

Um exercício interessante será ler este poema, considerando as linhas temáticas dominantes da poesia de Ricardo Reis, particularmente destacando as orientações didácticas e pseudo-moralistas do epicurismo e do estoicismo clássicos.
 
quarta-feira, novembro 02, 2005
  Alberto Caeiro - Guardador de sensações


Agora pode aceder à poesia de Alberto Caeiro no endereço :http://www.secrel.com.br/jpoesia/alberrr.html
 
Este espaço destina-se a professores e alunos do ensino secundário da disciplina de Português (Língua Portuguesa)da ES da Póvoa de Lanhoso. A intenção é proporcionar um espaço de interacção, e uma outra estratégia para apoiar os alunos.

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